quarta-feira, 5 de março de 2008

Rádio por Wi-Fi

Aquele modelo tradicional de AM/FM analógico já deu o que tinha que dar

Você já ouviu falar de empresas como Roku, Com One, Revo, Terratec e Tivoli? Eu, nunca. Até que li esses nomes numa resenha do jornal International Herald Tribune. São empresas (européias, japonesas) pequenas, mas que podem estar criando um precedente interessante. Você costuma ouvir rádio? Essa mídia vive um momento de grandes mudanças. Aquele modelo tradicional, AM/FM analógico, já deu o que tinha que dar.

Anunciam que o rádio digital estará no mercado em mais ou menos um ano. Os receptores teriam que ser trocados ou receber pequenos adaptadores. Prometem que a AM digital vai ter “som de FM”. E a FM digital, “som de CD”. O problema é que esse processo de digitalização vai depender basicamente do governo federal. Daqui um ano o que teremos? Comissões, comissários, burocracia, adiamentos, denúncias? Torço para que funcione.

A outra saída para o rádio está muito longe do Brasil. É o rádio por satélite. Por enquanto só existem duas empresas funcionando nos Estados Unidos, a Sirius e a XMSR, que deverão se fundir. Se nem a Europa nem o Japão chegaram lá, imagine a América Latina.

Hoje, 2007, o que temos para ouvir? Aparelhos captando FM com som medíocre e AM com som de ovo na frigideira. Você consegue captar umas 20 emissoras em cada faixa (sendo que metade delas é evangélica).

É aí que entram a Roku, a Com One, a Revo, a Terratec e a Tivoli. Elas criaram receptores para rádios via internet e se conectam em redes Wi-Fi. São aparelhos simples (apenas um deles é estéreo, e a maioria precisa de tomada para funcionar), mas são revolucionários na história do rádio.

Enquanto radinhos comuns captam umas 40, 50 emissoras em AM e FM, esses receptores Wi-Fi têm acesso a cerca de 10 mil estações espalhadas pelo planeta. A NRG 106,6 FM de Tirana, Albânia, está a poucos cliques da ZBC de Harare, Zimbabwe. Ouça a Radio 1 de Papeete, Tahiti, e imagine-se tomando um drinque ao sol. Um detalhe fundamental: tudo isso sem ruídos e interferências. A ANET, transmitindo da Antártida, pode ter a mesma qualidade de som da AM da esquina cobrindo o futebol de cada domingo. E de graça.

Esses receptores Wi-Fi atendem por nomes como Phoenix, Pico, Noxon e SoundBridge. Não são fáceis de encontrar. Quem quiser, pode se arriscar a importar um, mas vai ter que pagar o megaimposto de praxe. No entanto, eles apontam numa direção interessante. Quem gosta de simplesmente ouvir rádio via internet hoje está preso ao desktop como nossos avós e bisavós ficavam presos ao lado de seus grandes receptores da sala. Mesmo quem usa notebook é obrigado a carregar coisas demais. Você precisa ligar o mesmo aparelho chamado computador, que oferece processador de texto, planilha de cálculos, browsers, leitores de PDF, e-mail, comunicadores instantâneos, telefone VoIP, jogo de paciência, DVD player. E quem quer tudo isso quando deseja apenas... ouvir rádio?

A mesma lógica se aplica a outras funções acopladas ao PC. Por que não ter também receptores de TV pela internet? Ou transmitir ao vivo, diretamente de câmeras online? A outra revolução todo mundo já conhece — grandes redes de conexão sem fio, cobrindo metrópoles inteiras, o WiMAX. Pode começar por um radinho, mas logo poderemos perder a noção de que estamos ou não na internet. Porque ela fará naturalmente parte de nossas vidas em detalhes imperceptíveis.

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